sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Conversas com filhos II

As conversas engraçadas com o bombom mais velho já começam a rarear. Está naquela idade parva em que eu não sei nada, ele sabe tudo e em que me passa constantemente atestados de estupidez. Mesmo assim, entre discussões, conseguimos ter tempos de bonança em que nos voltamos a entender como antes e nos quais reconheço o filho doce e carinhoso que tive em tempos. E especialmente brincalhão, com um sentido de humor muito britânico e acima de tudo verdadeiro, sem fingimentos ou estratagemas. Mas esses momentos são raros e por isso os prezo tanto. 

Um dia destes levava-o eu ao fim do dia ao clube desportivo quando ele se sai do nada: -Mãe, quando é que o teu namorado vai embora? (Vai-se ausentar do país durante vários meses por motivos profissionais) 
- Porquê? perguntei. Estás com pressa que ele vá? 
- Pelo contrário, diz ele. Depois vais ter mais tempo para andares encima de nós e nos dares cabo do juízo...

E eu que por breves instantes tive a leve esperança que o meu filho quisesse passar mais tempo com a mãe. Nada como a sinceridade para nos fazer assentar os pés na terra. Onde ficaram os meus bombons fofinhos, os mais de tudo da mãe? Até apetece dizer: Quem és tu é o que fizeste ao meu filho?


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Estou farta disto! Vou para a Terra do Nunca...

IPois é, há coisas que me tiram do sério, apesar de tentar manter sempre a calma.  Assuntos relacionados com o meu ex e os bombons são muito delicados e tento sempre que as coisas não azedem. Cedo e volto a ceder, apesar de saber que tenho a razão do meu lado. Não quero que os meus filhos sintam a animosidade que impera entre os pais. Prefiro que pensem que conseguimos lidar um com outro apesar de nos termos divorciado.
Acontece que isso é pura mentira. Raros são os meses que não recebo uma mensagem ou um e-mail no mínimo ofensivo. Geralmente, não me digno responder. Noutras, as circunstâncias obrigam-me a manter a calma aparente e a responder diplomaticamente, apesar de me apetecer responder com um valente: Vai à merda!!!
Não pensem que estou a fazer-me de vítima. Ter o ex a sei lá quantos quilómetros de distância deveria assegurar a paz de espírito. Não se iludam! Está ausente, devido a essa ausência não cumpre o acordado no que se refere a fins-de-semana e afins, mas nunca lhe pedi um cêntimo a mais que fosse. Ele, por sua vez, desconta ao cêntimo tudo o que pode descontar nas despesas que deve comparticipar. Ao ponto de descontar 2 euros... Ah pois é!
E como isso não bastasse, não posso fazer planos com os miúdos sem lhe 'pedir permissão' porque Sua Excelência pode lembrar-se de aparecer exactamente nessa altura, sem me avisar, claro! Helloooo??! E que tal avisar-me a MIM quando os pretende ver, já que nunca os vê porque a distância não o permite? 
Isto de ficar calada e manter a calma para dar tranquilidade aos meus bombons está a dar cabo da minha paz de espírito e constituiu uma séria prova de resistência para o meu estômago. É que há coisas que não só me tiram do sério, como me dão uma vontade de vomitar valente....