Tenho medo há um ano, e mais um se seguirá. Tenho medo que a seguir voltes a partir. Tenho medo que nunca mais voltes.
Tenho medo da solidão. Tenho medo de me habituar a ela e não querer viver de outra maneira.
Tenho medo de um presente igual a ontem. Tenho medo de um futuro que nada de novo me trará.
Tenho medo de nos perder. De perder o teu toque, o teu sorriso. Tenho medo de perder a cumplicidade. Tenho medo de perder aquilo que nos define.
Tenho medo que o tempo não passe e o amanhã não chegue. Tenho medo das noites longas e das manhãs vazias.
Tenho medo de não partilhar coisas contigo. Coisas pequenas, do dia-a-dia, mas que podem ser tão grandes.
Tenho medo das festas a que deixo de ir por não ires comigo e mais ainda daquelas a que irei sozinha. Tenho medo das perguntas dos outros, dos comentários bem intencionados mas que magoam, dos porquês de não voltares e de ouvir "passa depressa, vais ver".
Tenho medo de mim, de me isolar, apesar de me sentir tão só.
Tenho medo dos momentos de loucura, em que as lágrimas não cessam e eu peço para deixar de sentir. Tenho medo da falta de paciência, dos gritos que os meus filhos ouvem por me sentir revoltada, apesar de não terem culpa dessa revolta. Tenho medo que eles me ouçam chorar na minha cama, noite após noite. E tenho medo da manhã com olhos inchados, quando a maquilhagem já não conseguir camuflar a minha dor.
Tenho medo de falar contigo e que notes quanto me magoas com a tua ausência. Tenho medo de não falar contigo e ser eu a magoar-te ou a afastar-te de mim. Tenho medo do desconhecido. Tenho medo das desconhecidas que estão perto de ti e eu tão longe.
Tenho medo dos aniversários sozinha, do teu e do meu, dos dias de S. Valentim, dos dias feriados, dos dias de chuva em que apetece ficar na cama ou no sofá, enrolada a ti, dos dias de sol na praia, dos jantares com um bom tinto, dos almoços tardios, de tanta coisa...
Tenho medo do passar do tempo, da distância, de a saudade se transformar em indiferença, de não me quereres mais.
Tenho medo da ausência do teu olhar, do teu sorriso e dos teus braços.
Tenho medo de viver a olhar para o telemóvel, à espera de uma mensagem ou um telefonema. Tenho medo de viver noite após noite à espera da hora de te ver num ecrã de computador.
Tenho medo de viver no limbo.
Tenho medo de não viver.

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